Eu (não) te amo

Eu (não) te amo

Eu não te amo mais. Mentira, amo sim, mas não quero mais amar. Eu não te quero mais. Mentira também, mas não quero mais querer. Para ser sincera, não quero nem te olhar, dói saber que um dia a sua vida fez parte da minha, e eu boba, juntei as duas e dei igual importância.

Não quero te apagar da minha memória, quero lembrar-me de todas as lágrimas que nasceram por você, de todas as vezes que me senti a pior das mulheres, pois não fui capaz de despertar o seu amor por mim. Quero (re)lembrar do quanto você me enganou, do quanto me fez de boba, só porque sabia do tamanho do carinho que sinto por você. Quero tudo isso para não correr o risco de algum dia pensar em me envolver novamente com você, ou pelo menos com alguém parecido.

Não desejo que você sofra como estou sofrendo. Que você ame alguém como te amei e essa pessoa despreze seu sentimento. Não desejo que seja largado no altar, ou que pegue sua mulher com outro na cama. Desejo apenas o mais cruel dos castigos: a eterna solidão, o eterno vazio.

É onde mora a diferença

É onde mora a diferença

“A gente demora pra aceitar, arruma novecentas desculpas para a falta de jeito do outro. Ah, ele é confuso. Ah, ele está tenso. Ah, ele tem medo. Ah, ele é maluco. Ah, ele isso. Ah, ele aquilo. Desculpa, mas quem quer estar junto pensa ah, que saudade. Ah, que falta ela me faz. Quem gosta, gosta. Sem complicações. Sem armações e armaduras.”

T.B.

A princesa sem príncipe

A princesa sem príncipe

Trilha sonora do texto Mil perdões – Chico Buarque

 

            Sentada no chão, nua, cheirando ao sexo feito para o prazer dele. Olhava para aquele homem deitado numa rede, em um quarto que não parecia um quarto. Roupas espalhadas pelo chão, papéis, livros. Uma parede que não ia até o teto. Olhava para aquele homem que não era bonito, que não era educado, que era tudo que ela nunca quis. Aquele homem que, apesar disso, era tudo que ela queria naquele momento, mas não entendia o motivo para querê-lo.

            Lembrou-se do dia que contou que mentiu para ele. “Eu fui mesmo a loja da sua amiga”, não era amiga dele, era uma das suas namoradas. Ele deu uma tapa em sua boca. Sangrou. Mas ela não fez nada, só pediu desculpas.

            Também se lembrou do dia que ficou esperando por ele o dia todo, ligou, ligou, ligou e nada. Só a noite descobriu, quando ele chegou bêbado em sua casa, que tinha passado o dia em churrasco. Mas ela não fez nada, só ajeitou alguma coisa para ele comer.

            Fechou os olhos, ainda sentada, pensou em todas as vezes que chorou por gostar tanto de alguém e tão pouco dela. Escutou a irmã dizendo “me falaram que seu namorado tem uma namorada em cada bairro daqui”, e ela não falou nada, sabia que era verdade.

            – Está pensando em que, princesa?

            – Em nada…

            – Fique ai sentadinha que vou dormir aqui.

            Como sempre obedeceu. Ficou lá sentada, nua, sem vida, sem brilho.

Mar: a avestruz

Mar: a avestruz

Vou embora da cidade onde eu moro, momento sonhado, por mim, durante boa parte dos meus dias. E no lugar de me sentir feliz, só sinto medo. Nunca pensei que sair da minha zona de conforto fosse tão difícil. Vou começar outro curso, sonho de infância, mas nem isso me faz abrir um sorriso no rosto. Estou preocupada com o futuro.  Ando tensa. Ando brigando com quem apenas merece meu carinho. E isso me deixa triste. Vira uma bola de neve. Milhares de coisas para resolver e minha vontade é enfiar a cabeça num buraco e rezar para o mundo acabar mesmo em 2012.

Passou horas olhando fixamente o ponto branco na parede do quarto. O vazio era preenchido pelo silêncio. O silêncio era quebrado pelo barulho da sua respiração. E sua vontade era parar de respirar e deixar o silêncio viver.

O grito que cala

O grito que cala

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Palavras. Palavras. Palavras. Não sei lidar com elas. Aliás, não sei lidar com nada. Sento-me para escrever, tenho milhares de idéias, mas nada parece suficientemente bom. Penso sobre a vida, a morte, o amor, eu, você, os outros. Nada. Nada. Nada é bom.

A música toca. Apenas choro. Apenas respiro. Apenas durmo. Apenas acordo. E apenas vivo.

Pior de tudo é saber a razão de toda essa angústia, esse grito mudo que ecoa a cada segundo dos meus dias. Acabo implodindo minhas células, tudo se torna um caos.

 “Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor.”

Mas você nem sabe

Mas você nem sabe

Você nem sabe, mas eu tenho que respirar fundo umas 50 vezes por dia para não pirar com tamanha distância. Você nem sabe, mas eu me controlo para não meter a cabeça na parede e tentar me livrar de todas as minhas neuroses, provocadas pelo seu silêncio. Você nem sabe, mas muitas vezes já pensei em jogar tudo para alto e sumir da sua vida, numa tentativa desesperada de te tirar da minha alma.

Tanta coisa…

E você nem sabe, você nem imagina.

Você nem sabe que estou te escrevendo um texto agora, ouvindo uma música e rezando para que você pense pelo menos um pouquinho em mim.

Você nem sabe, talvez nem venha a saber.

Talvez nem leia esse texto.

Talvez.

Triângulos brancos (final)

Triângulos brancos (final)

Pernas abertas e ele entre elas. Olhou e disse: Sabe quando a música fala “como a laranja e a sede” é assim que imagino. Com as mãos, apertou a bunda. Com a boca, sugava.

Gemidos. Gemidos.

Deita, agora sou eu.

Enquanto colocava tudo em sua boca, ela o olhava para ver suas expressões. Ficava mais excitada quando via o prazer estampado no rosto daquele homem.

Gemidos. Gemidos.

Abraços sem fim.